sábado, 24 de abril de 2010

TUMORES BENIGNOS DO FIGADO

Hiperplasia Nodular Focal

Introdução

A hiperplasia nodular focal (HNF) é o tumor hepático benigno mais comum depois dos hemangiomas. Com e exceção deste último, a HNF corresponde de 66 a 86% dos tumores benignos. A HNF não é uma lesão que se transforma em câncer, geralmente é encontrada em exames de rotina e, na grande maioria dos casos, não deve ser realizado nenhum tratamento.

Etiologia

A causa da HNF ainda não está bem esclarecida, mas provavelmente surge de uma malformação vascular que leva a um aumento local do fluxo sanguíneo. Com esse aumento da oferta de sangue, há multiplicação das células do fígado (hiperplasia) e provavelmente transformação dessas células nas células do tumor. Apesar de ser muito mais comum em mulheres (8 a 9,1 mulheres para 1 homem) em idade fértil (20 a 50 anos), não há evidência conclusiva sobre ação hormonal natural ou anticoncepcionais.

Pode haver múltiplas HNF no mesmo indivíduo, que pode apresentar ainda outras lesões, incluindo anormalidades vasculares (hemangioma hepático, telangiectasia cerebral, aneurismas, artérias sistêmicas displásicas, atresia de veia porta), tumores do sistema nervoso central (meningioma, astrocitoma) e hemi-hipertrofia.

Sinais e Sintomas

A vasta maioria desses tumores benignos é encontrada ao acaso. Sintomas são incomuns, mas pode ser notada uma tumoração no fígado. Pode surgir dor se houver rutura ou hemorragia no interior do nódulo (a hemorragia é mais comum em mulheres usando contraceptivos orais). Exames laboratoriais são quase sempre normais.

Anatomia Patológica

Normalmente, a HNF ocorre como uma lesão capsular menor que 5 cm. Geralmente há uma cicatriz fibrosa no centro da lesão com grandes vasos arteriais espessados (hiperplasia fibromuscular) e cicatrizes menores (septos) se estendendo radialmente do centro até a cápsula, acompanhados de ductos biliares. A presença de células de Kupffer, a principal das células de defesa imunológica no fígado, ajuda a diferenciar a HNF de adenoma hepatocelular.

Diagnóstico

Seguindo as características histológicas (do tecido) do tumor, a HNF é facilmente identificável por exames de imagem. Ela se apresenta como um nódulo com cicatriz central, que é mais facilmente identificada na tomografia computadorizada. Na ressonância nuclear magnética, a cicatriz será hiperdensa em T2 com contraste com gadolínio, podendo diagnosticar a HNF com 98% de certeza (devendo-se no entanto considerar a hipótese de hepatocarcinoma fibrolamelar na presença de lesão maior de 10 cm em fígado com cirrose). A angiografia pode mostrar a lesão hipervascular com uma cicatriz pouco vascularizada e vasos de distribuição radial como uma roda de carroça. Geralmente não é necessária a realização de biópsia, a não ser em casos de rutura com indicação cirúrgica ou quando a lesão é encontrada ao acaso numa cirurgia, aonde fazer uma biópsia é muito simples.

Prognóstico

A HNF raramente evolui com rutura ou hemorragia, que são as únicas complicações do tumor. Nesses casos, ou em tumores excepcionalmente raros (> 8 cm), pode ser necessária cirurgia para a retirada do tumor. Outra opção de tratamento, com resultados variados, é a embolização da artéria que nutre o tumor, atrvés de arteriografia. Apesar da relação discutível entre contraceptivos orais e a HNF, não é recomendado o uso desses e a segurança na gravidez também é duvidosa

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